Perder um filho é um dos processos mais dolorosos, um dos lutos mais sofridos que uma pessoa pode ter, porque desafia a ordem natural da vida, não estamos preparados para isto. Não estamos preparados para perder, a saudade dói, a ausência massacra, mas sendo um filho é como se transpassassem de inúmeras facas de lâminas finas e de vez em quando ficasse torcendo a faca para sangrar. É como morrer um pouco a cada dia. É uma dor que acompanha, te assombra, te atormenta, te tortura e nunca ameniza.
Perder um filho que se quer estava doente pode transformar uma vida.
Perdi um filho aos 39 dias de vida, durante a noite, quando acordei ele já havia partido, sem chorar, sem dor, sem aviso e sem despedida. Foi como se o mundo abrisse aos meus pés, como um abismo. A minha corda de salvação foi meu primeiro filho que com 4 anos, ao olhar naquele olho lindo e brilhante eu tinha certeza que precisava reagir. Ele me salvou.
Durante 11 anos não fui capaz de pronunciar o nome dele ou falar a ninguém a respeito desta dor, mas quando reagi eu entendi que a transformação que sofri foi para meu crescimento.
Depois da morte prematura de meu filho aprendi que não basta amar, precisamos declarar o quanto amamos, não importa o quanto te achem boba, estranha ou qualquer outro adjetivo. Não sabemos o momento a seguir. Então entendi que não o perdi aos 39 dias e sim o tive por 39 dias e que isso mudou minha vida, pois antes guardava sentimentos, não me expunha, me resguardava, hoje extravaso, sou sentimento puro, até demais às vezes.
Precisamos fazer da dor um aprendizado.
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